Ativismo de Direitos Animais com foco na Diminuição da Demanda

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No Movimento de "Defesa" Animal existem dois tipos principais de ativismo: o ativismo com foco na Diminuição da Demanda de exploração animal e o ativismo com foco no Combate a Oferta de exploração animal.

No Movimento de "Defesa" Animal existem dois tipos principais de ativismo: o ativismo com foco na Diminuição da Demanda de exploração animal e o ativismo com foco no Combate a Oferta de exploração animal.

No Movimento de "Defesa" Animal existem dois tipos principais de ativismo: o ativismo com foco na Diminuição da Demanda de exploração animal e o ativismo com foco no Combate a Oferta de exploração animal.

Há uma diferença crucial entre esses dois tipos de ativismo e que fazem eles tomarem direções opostas de entendimento sobre ações práticas e estratégias a serem seguidas pelo Movimento de "Defesa" Animal. Assim, no caso do Movimento Abolicionista, que é apenas uma parcela dentro do Movimento de "Defesa" Animal, é necessário verificar qual ativismo se mostra mais compatível e eficaz para que se alcance o objetivo maior do Movimento de Direitos Animais que é a abolição da escravidão animal.

O tipo de ativismo mais comum no Brasil e no mundo é o ativismo com foco no combate a oferta de exploração animal (Ativismo de Oferta) e o ativismo com foco na diminuição da demanda de exploração animal (Ativismo de Demanda) tem como principal representante o professor, filósofo e advogado americano Gary Francione.

A partir das características de cada um desses dois tipos de ativismo é possível evidenciar a diferença entre eles e refletir sobre qual deles estaria mais dentro dos propósitos do Veganismo Abolicionista.

Ativismo de Oferta

Situações específicas e na maioria das vezes emergenciais mobilizam a prática do Ativismo de Oferta. A ação prática se constitui a partir de um tipo de exploração animal em particular. E dessa particularização pode-se gerar outras tantas fragmentações ou subdivisões ainda mais específicas. A "mensagem" transmitida ao público em geral é parcial, pois é mostrado o parcial e enfatizado o parcial. Mesmo quando se tenta amenizar esse fato com o uso de palavras como por ex. escravidão, elas vem enfraquecidas ou dissolvidas num discurso que propõe ao público o entendimento do específico e não do todo.

A exploração animal X ou Y ou Z é escolhida como alvo de ação e então enfatizada em suas características e detalhes perversos numa tentativa de mostrar o quanto ela é merecedora do repúdio alheio. Nessa tentativa de enfatizar o tipo particular de exploração animal, muitas imagens ou cenas ou cenários são usados pelo ativista para mostrar o quanto cruel é aquele tipo de exploração animal. Em outras palavras, o foco da ação está muito mais voltado para a crueldade e o sofrimento animal do que para qualquer outra coisa.

Muitos ativistas de oferta dão grande importância em impactar ou sensibilizar o não vegano usando, por ex., de cenas sanguinolentas de exploração animal para isso. Entretanto, a sensibilização do público sem proporcionar os instrumentos educacionais para a devida compreensão ética de como é errado moralmente usar ou escravizar animais não garante a mudança de paradigma do receptor da ação. E mesmo que a sensibilização possa interferir na simples mudança de comportamento está pode ser transitória. A fragilidade pode ser tanta que a repetição das cenas sanguinolentas acabem por gerar efeito contrário de banalização do sofrimento psicológico ou da crueldade física em que está exposto o animal em nossa sociedade. Além disso, a sensibilização por cenas sanguinolentas por si só pode gerar sensação de impotência ao público leigo que não sabendo como lidar com o Problema Moral da escravidão animal, tende a repetir modelos da sociedade tradicional especista e resolver o Problema Moral a partir da melhoria do Tratamento do animal na indústria de exploração animal e não a partir da abolição do Uso do animal.

 Num patamar crescente a forma como é combatida  a "crueldade" e o "abuso" podem ganhar uma conotação tipicamente herdada do Movimento Bem-estarista e Neo-bem-estarista na mentalidade que procura graduar "abusos" em escalas de sofrimento. A ênfase passa a ser o combate a um determinado tipo de "abuso". Assim, é possível justificar "investigações" e solicitar doações.  As "investigações" servem para mostrar ao público o quanto os animais sofrem e teriam a função de impactar as pessoas sobre esse mesmo sofrimento animal. Nessa linha de pensamento é passada a ideia de que não só uma série de "investigações" são necessárias ao Movimento de Direitos Animais como também "pesquisas" que mostrem o quanto o Veganismo está crescendo no mundo. E esse crescimento estaria acontecendo graças a medidas práticas adotadas por Grandes Organizações ou Grandes ONGs empenhadas em um suposto "acordo" ou reformas de bem-estar animal com grandes entidades ou indústrias exploradoras de animais. Para agradar ou convencer veganos ditos abolicionistas a adoção dessa prática com componente bem-estarista ou neo-bem-estarista, não é confessada ou declarada e ao contrário é anunciada como sendo oriunda de uma "nova" maneira de pensar ou agir. Também é vendida a  ideia de que essa "nova prática" é o que o ativista ou o Movimento de Direitos Animais precisa em termos de pragmatismo e que a principiologia não deveria estar sempre em primeiro plano, quando se define uma ação abolicionista.  "Resultados" ou "vitórias" do Movimento podem ser mais importantes e por isso apoiar reformas bem-estaristas pode ser uma medida "abolicionista".

Assim, a Situação Parcial de exploração animal, seja ela qual for a escolhida, é propagandeada em um formato vendável não só ao público não vegano como ao vegano. Esse redimensionamento visa atrair aqueles veganos que se consideram abolicionistas, mas que tem uma formação deficitária do ponto de vista de poder fazer uma boa análise crítica do Movimento Abolicionista. Como se pode notar, o Ativismo de Oferta tem um espectro que vai desde um bem-estarismo clássico até o neo-bem-estarismo.  O ativista bem-intencionado pode se considerar um "abolicionista" e achar que suas ações são abolicionistas. Entretanto, a postura dele conceitual demonstra o equívoco e se estende em qualquer prática ou ação. Portanto, posturas bem-estaristas e neo-bem-estaristas são um viés ao objetivo e a qualquer prática abolicionista.

A supervalorização das situações fragmentadas de exploração animal e ações voltadas para as consequências da exploração animal (e não para as causas) formam um pano de fundo para o remediatismo. Assim, a maioria das ações passam a ter um caráter não só de combate a exploração animal, mas principalmente de repressão. E para reprimir com enfâse é necessário eleger "inimigos". E para supervalorizar as ações, os "inimigos" devem ser grandes pecuaristas ou grandes indústrias da exploração animal, etc.

Se antes de mais nada é necessário combater o "inimigo" a Divulgação do Veganismo Abolicionista passa a ser algo secundário e sujeito a relativização moral. Nessa linha, o discurso recorrente é aquele que procura o "diálogo" e a "união" do Movimento Abolicionista. A falta de diálogo é vendida pelo ativista de oferta como sendo um obstáculo a realização de ações práticas abolicionistas. É necessário ter a mente aberta e escutar o ativista de oferta mesmo que ele insista em usar todo o tempo de "diálogo" com propostas de ação neo-bem-estaristas disfarçadas de estratégias "inovadoras e eficazes". A suposta abertura do diálogo visa, na realidade, diminuir a resistência dos ativistas que relutam em adotar ou apoiar práticas bem-estaristas. Para dar aval e impressionar o público leigo e ativistas ingênuos ou mal formados no Movimento Abolicionista, os dizeres e saberes vem na forma de "relatórios e pesquisas" assinados por ONGs famosas e algum estatístico ou dito estudioso da área em questão.

Quebrar a resistência dos veganos as propostas bem-estaristas é o real objetivo do ativista de oferta e não o diálogo ou a união do Movimento de Direitos Animais. Mesmo porque o Movimento Bem-estarista e o Movimento da "Exploração Feliz" ou Movimento Neo-bem-estarista são Movimentos distintos, com objetivos totalmente diferentes e incompatíveis com os objetivos e práticas abolicionistas do Movimento de Direitos Animais. Portanto, o diálogo e a união do Movimento Abolicionista é saudável e pode e deve acontecer dentro do Movimento de Direitos Animais tendo como base não o ativismo de oferta tipicamente bem-estarista ou neo-bem-estarista e sim tendo como base o Ativismo de Demanda. Por fim, as "evidências" desses supostos estudos seriam os norteadores de uma ação prática "abolicionista" e não os pilares éticos e morais evidenciados, por exemplo, pela Abordagem Abolicionista de Gary Francione. Aliás, esse autor é visto pelos bem-estaristas e neo-bem-estaristas declarados como mais um "inimigo" ou alguém que prega doutrinas e quer apenas criticar o Movimento de "Defesa" Animal. O ativista de oferta pode ainda ter um discurso dúbio que inclua elementos da teoria de direitos, como por exemplo, da teoria abolicionista de Gary Francione misturando concepções bem-estaristas, neo-bem-estaristas e concepções abolicionistas num mesmo discurso numa tentativa de validar o não ético a partir da inclusão de termos éticos no discurso proposto de ação de Oferta.

Alguns ativistas de oferta alegam que a abolição só será obtida por um "processo natural" em que medidas bem-estaristas e neo-bem-estaristas, ainda que não sejam vistas como ideais, devam ser apoiadas para que cheguemos até a abolição da escravidão animal. Eles citam exemplos históricos de leis bem-estaristas da escravidão humana, concluindo que essas leis bem-estaristas ajudaram a libertação dos escravos humanos e do mesmo modo podem ajudar a abolição da escravidão animal. Essa conclusão é precipitada. Historicamente as leis bem-estaristas foram usadas pelos escravagistas para retardar (e não para acelerar) o processo de libertação legal dos escravos humanos e o mesmo ocorre historicamente na escravidão animal.  Quanto a questão do processo em si de abolição da escravidão animal, ele só pode ocorrer dentro da base do Movimento de Direitos Animais que é o Veganismo e nos princípios éticos e morais da Educação Vegana não violenta e criativa. Portanto, o processo acontece na aplicação direta e prática dos valores de justiça, paz, respeito, etc e não em base exploratória ou escravagista sustentadora da própria escravidão animal.

Apesar de isso parecer bastante óbvio, há uma confusão de ideias de uma parte dos ativistas do Movimento de "Defesa" Animal e que dizem pertencer ao Movimento Abolicionista.  É provável que essa confusão de ideias aconteça decorrente do especismo ainda existente dentro de cada pessoa vegana ou não vegana, ativista ou não ativista, que tende a admitir uma relativização da aplicação dos princípios éticos, quando se trata do animal-vítima, mas que jamais admitiria essa relativação moral no contexto humano.

Se leis abolicionistas são barradas e boicotadas é porque a sociedade ainda exige explorar animais e é necessário fazer um trabalho de base para que a mudança de paradigma de pelo menos uma parte significativa dessa sociedade aconteça e é isso que irá fazer com que a abolição da escravidão animal se torne realidade e não o apoio a regulamentação da escravidão animal.

O Ativismo de Oferta num plano mais sutil de atuação fala em proibições de determinado tipo de exploração X ou Y ou Z. Aparetemente, a palavra "proibição" ganha uma conotação "abolicionista" e muitos ativistas (que se consideram abolicionistas) acabam apoiando essas Campanhas de proibição, que, na verdade, são apenas uma variação ou mais um tipo de "Campanha de um Só Tema". O explorador de animais já usa o animal em vários setores como alimentos de consumo, entretenimento, experimentos "científicos", etc. e enquanto for especista usará ou criará novas formas de escravização ou exploração animal.

A imaginação do especista pode ser infinita em adaptar ou criar novas formas de escravização animal. Assim, a proibição por si só não gera mudança de paradigma para a abolição da escravidão animal, porque seu caráter é repressivo e não educacional e o foco se desvia para a situação parcial de exploração animal numa visão de combate ao "inimigo" e para aquele tipo de exploração animal. A causa daquele Problema Moral não é o formato da exploração A,B,C,...XYZ e sim o especismo. A exploração A,B,C ... X,Y,Z são manifestações do preconceito chamado especismo. É o ato discriminatório praticado pelo especista. É a consequência e não a causa da exploração animal.  

Assim, se o ativista concentrar todo o seu tempo, energia e até mesmo dinheiro em combater algum tipo de exploração animal (consequência) dando ênfase a ela indevidamente, poderá se frustrar ao perceber que o explorador ao ser proibido de escravizar animais no tipo X de exploração animal adaptou ou criou o tipo X1, X2, X3, X4 ou impedido de Y adaptou ou criou a exploração Y1, Y2, Y3, Y4, etc. Por ex. ao proibir-se o rodeio, o explorador migra para vaquejada ou farra do boi ou inventa outra forma de divertimento as custas da violação dos direitos básicos do animal senciente não humano.  Pode-se alegar aqui, que nesse caso, o ativista deve fazer um trabalho conjunto de proibição e de educação, mas como a própria Campanha procura dar foco naquele tipo de exploração animal e ainda com ênfase em distinções sem sentido entre usos e produtos de origem animal,  a tendência do público leigo é achar que o Problema Moral está em usar ou praticar aquele tipo de exploração animal focado na Campanha e não a todo o tipo de uso do animal. Por ex., Nas Campanhas de proibição do uso de peles o foco da campanha está no uso da pele, então o uso de couro, lã, etc, parecem não ser um Problema Moral. O público em geral acaba captando uma Mensagem Parcial e interpreta que os outros usos como couro e lã, que pouco ou nem sequer são mencionados nesse tipo de Campanha de um Só Tema, não são o problema. O problema é o animal esfolado vivo, o problema é o grau de requinte de exploração exposto em cenas cruéis pelos ativistas de oferta, como se abater um animal para consumo, nos padrões corriqueiros da indústria de exploração animal, fosse menos "abuso" ou menos uso do que o da indústria da pele.

Outros ativistas ainda irão argumentar que depois ou concomitantemente esclarecerão o público presente na ação sobre o todo. Quando se fala aqui no todo, parece que o ativista de oferta não retira de si a ideia da necessidade de se apresentar os inúmeros tipos de exploração animal existentes e o todo é visto como uma tentativa de esclarecer o público sobre esses outros formatos ou tipos de exploração animal como circo com animais, experimentos "científicos" com animais, aquários, zoológicos, rinha de cães, etc.  O todo deveria ser apresentado ao público a partir da causa (especismo) e na Situação Geral de escravidão animal, apresentando-se o Problema Moral e a Solução Moral para ele que é o Veganismo.  Os tipos de exploração animal são apenas ilustrações ou "deixas" para se falar sobre a Mensagem Geral ou Integral da abolição da escravidão animal e não o foco da conversa em si. Além disso, há uma limitação natural e circunstancial de cada ação proposta, tanto a nível material como a nível de controle das inúmeras variáveis presentes na situação de ação para se pretender dar conta de tudo. Enfim, os ativistas de oferta adotam uma prática duvidável de atuação cheia de emaranhados e voltas numa tentativa de corrigir o que se complicou, ao invés de simplesmente fazer um trabalho de base bem feito e educacional. São remendos para tentar validar algo errado do ponto de vista conceitual, prático e estratégico ao invés de ir direto ao ponto que é o Problema Moral gerado pelo especismo e a Situação Geral de Escravidão Animal.

Ativismo de Demanda

O Ativismo de Demanda tem como base o Veganismo e fundamenta-se principalmente a partir de uma teoria de Direitos. O ativismo de demanda procura mostrar ao público leigo que o único critério que precisamos ter para incluir um ser ou não dentro da nossa Esfera de Consideração Moral é a senciência e que é injusto, arbitrário e portanto errado moralmente explorar ou escravizar seres sencientes humanos e não humanos. Essas concepções teóricas descritas até aqui estão em sintonia com a Abordagem Abolicionista de Gary Francione. Atualmente, a Abordagem Abolicionista de Gary Francione é o principal alicerce teórico e prático do ativista de demanda por ser essa Abordagem muito bem fudamentada conceitualmente e com alto grau de aplicabilidade. Gary Francione está a frente dessa Abordagem Abolicionista com um trabalho acadêmico descrito em 8 livros e diversos artigos (inclusive duas obras já estão traduzidas para o português) de Direitos Animais (e elaborado no decorrer de mais de três décadas). Além do seu trabalho acadêmico é um ativista de Direitos Animais que sustenta uma crítica substancial ao Movimento bem-estarista e ao Movimento neo-bem-estarista.  E sua visão sobre Veganismo não se restringe a simples abolição da escravidão animal e propõe em sua Abordagem à abolição de todas as formas de discriminação.

O ativista de demanda tem foco no animal-vítima quando vai elaborar um Projeto Abolicionista ou ação prática. E ter foco no animal significa evidenciar a condição de propriedade do animal ao público não vegano e como isso impede que o animal senciente não humano tenha qualquer direito básico respeitado. O ativista de demanda tem foco no Uso do animal e não no Tratamento dispensado ao animal na indústria de exploração animal.  Reconhecer o valor inerente do animal significa não compactuar com a exploração institucionalizada de animais e conceber formas de ativismo a partir desse reconhecimento. Ao rejeitarmos o preconceito chamado especismo e/ou outras formas de preconceito como racismo, sexismo, etc estamos dizendo que características biológicas como espécie, raça, etnia, sexo, etc não são critérios relevantes do ponto de vista moral para se excluir um ser senciente da nossa Esfera de Consideração Moral. A Abordagem Abolicionista, como dito anteriormente, diz que o único critério de inclusão de um ser ou não dentro da nossa Esfera de Consideração Moral é a senciência.  A senciência é um dos conceitos reelaborados nos trabalhos desenvolvidos por Francione na sua Abordagem Abolicionista e que ganharam uma definição de maior inclusão social em favor dos animais sencientes não humanos. Também foram reelaborados outros termos como pessoa ou cunhados outros como, por exemplo, o termo esquizofrenia moral. Assim, esses termos acabaram se diferenciando de concepções filosóficas de outros autores da Ética Animal como Tom Regan, Peter Singer, etc.

E essas diferenças conceituais da Abordagem Abolicionista de Gary Francione, que proporcionam uma maior aplicabilidade da teoria abolicionista em favor dos animais sencientes, são importantísssimas para que o ativista de Direitos Animais, possa identificar situações e formas de pensamento no meio em que convive e age.O mundo é construído pelos atos e atitudes de cada um de nós e o veganismo é algo possível de se realizar e acompanha valores éticos e morais que abrem uma perspectiva de um mundo melhor. E são justamente esse valores morais que constituem a base da Agenda Abolicionista e essa agenda não tenta legitimar a exploração animal através de regulamentações de qualquer ordem, mas propõe Projetos Abolicionistas que retirem o animal da sua condição de propriedade.

No ativismo de demanda o Veganismo é um Imperativo Moral e ocupa um lugar prioritário  em toda e qualquer elaboração de projetos, estratégias ou ações práticas abolicionistas. Assim, dentro de uma perspectiva abolicionista as coisas começam (e não terminam) a partir do veganismo. A aplicação do princípio da não-violência em nossas vidas nos leva a Solução Moral para o Problema Moral que é a escravidão animal. A solução de tornar-se vegano e manter-se vegano por motivo ético vem do reconhecimento de que animais sencientes têm interesses básicos e que violar esses interesses e direitos básicos sem ter um justificativa válida para isso é algo errado moralmente. Podemos observar que essa descrição acima de princípios éticos e morais corresponde resumidamente aos escritos de Gary Francione no intitulado artigo dos Seis Princípios do Movimento Abolicionista e merecem por parte do leitor uma consulta e uma maior investigação sempre que se propor a uma ação prática em favor do animal senciente.

Portanto, a mudança de paradigma não virá por acaso e sim pela compreensão e aplicação dos princípios abolicionistas. E esses princípios abolicionistas devem estar amplamente presentes em todos os planos, planejamentos e programas relacionados a esclarecer o público em geral sobre escravidão animal. São ações de carater educativo que constituem estrutural e operacionalmente os Projetos Abolicionistas de Educação Vegana não violenta e criativa. Assim, o ativista de direitos animais deve ter sempre em mente que a principal ação incremental na Advocacia Vegana é a própria divulgação do Veganismo como Imperativo Moral. 

Como vimos anteriormente, o ativismo de oferta tem a característica de fabricar ou criar necessidades. Assim,  as palavras "abuso", "pesquisa", "investigação" são distorcidas e usadas como algo extremamente necessário envolvendo aspectos psicológicos, estruturais e operacionais do ativismo e afetando até mesmo o Movimento Abolicionista. No ativismo de Demanda o padrão corriqueiro da indústria de exploração animal já é o "abuso" em si, assim como qualquer outra forma de exploração animal. Não há necessidade alguma de pesquisar (deixemos claro que ninguém é contra pesquisa científica em geral desde que bem feita e sem exploração animal) e/ou investigar detalhes do "abuso".

Da mesma forma, as ONGs neo-bem-estaristas criam a necessidade e insistem em medir resultados e que esses demonstram que suas ações são "abolicionistas". Alegam que precisamos fazer "algo agora" imediatamente para "salvar" ou diminuir o sofrimento animal. Isso tudo gera, compreensivelmente, uma angústia ou ansiedade no ativista. O convite a ser um protagonista e não meramente um coadjuvante ou um humilde trabalhador da causa animal também seduz aquele ativista que tende a entender o Movimento Abolicionista a partir das relações humanas e não da sua relação com o animal senciente não humano. Se fossemos, realmente, examinar o que é mais prioritário no Movimento Abolicionista seria bem provável que chegassemos a conclusão de que é o trabalho de base (a começar pela Divulgação do Veganismo) o que mais precisamos no Movimento Abolicionista.

O ativista de Demanda tem foco no princípio da não violência e de outros valores éticos universais como justiça, respeito, etc e são esses valores que norteiam as suas ações e não necessariamente na forma como essas grandes Organizações querem medir os "resultados". Mesmo porque, há inúmeras variáveis envolvidas em cada ação ou em cada pessoa que conversamos.  Essa ou aquela variável está sendo devidamente controlada ou isso tudo é mais uma coleção de estratégias de marketing das grandes Organizações para angariar fundos, doações e novos voluntários para elas?  O mais importante é que a auto-avaliação do ativista de direitos animais tenha como base não os "resultados" vindos de critérios duvidosos e sim se ele enquanto ativista está cumprindo o seu verdadeiro papel de poder passar a Mensagem Abolicionista para o não vegano em seu diálogo ou ação da forma mais educacional e eficaz possível!

A seguir é mostrado um Quadro Comparativo entre o Ativismo de Demanda e o de Oferta. A intenção não é a de classificar o ativista como sendo desse ou daquele tipo e sim o de orientar ou ajudar o ativista de direitos animais a perceber a dimensão de suas ações e proporcionar a ele mais uma forma dele próprio examinar aquilo que está fazendo no Movimento de Direitos Animais. Todos nós devemos, frequentemente, fazer uma auto-avaliação do nosso ativismo. O Quadro Comparativo é apenas uma forma de refletirmos sobre nossas ações (e pode ser ampliado ou modificado de acordo com a Abordagem Abolicionista). Esse quadro oferece a oportunidade de se verificar alguns posicionamentos conceituais e estratégicos, já que o quadro comporta uma escala que vai desde o bem-estarista clássico até o vegano abolicionista.

 

 

 

Nota: O autor desse artigo sugere que o ativista, na sua formação, leia vários livros de Ética Animal de diversos autores procurando fazer uma análise críticas das obras lidas. Caso o ativista tenha um tempo muito reduzido para se aprofundar no assunto que pelo menos priorize leituras relacionadas a teoria de Direitos.

Artigo escrito por: Luís Martini