Imagine se houvesse um Movimento de "Direitos Animais" verdadeiro

Gary Francione
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Imagine como as coisas seriam diferentes se existisse um movimento animal que: (1) tivesse como foco o uso, e não o tratamento; (2) que promovesse o veganismo como um imperativo moral; e (3) não promovesse (nem levantasse fundos a partir de) reformas do bem-estar animal, "exploração feliz", reducitarianismo, campanhas de um só tema, etc.

 As indústrias que promovessem exploração animal iriam reagir tentando manter o público focado no tratamento e convencendo-o de que a exploração animal era realmente "humanitária". A indústria promoveria os mesmos tipos de "reformas" que os grupos de defesa dos animais promovem -- gaiolas maiores, abate mais "humanitário", etc.

Pessoas que se importassem com os animais, mas que não estivessem prontas ou dispostas a se tornarem veganas, iriam reduzir seu consumo de animais e consumiriam produtos de origem animal supostamente "mais felizes".

Em outras palavras, se nós tivéssemos um movimento que buscasse justiça para os animais que promovesse o veganismo como um imperativo moral, a indústria faria exatamente o que ela está fazendo agora e os indivíduos que se importassem, mas que não estivessem dispostos ou prontos para se tornarem veganos, fariam exatamente o que fazem hoje.

A diferença seria que nós finalmente teríamos um movimento social que não mais seria parceiro da indústria, nem assumiria uma postura que é inerentemente especista. A mensagem moral seria clara: "direitos animais" significam que todos os seres sencientes são iguais para o propósito de não serem tratados exclusivamente como recursos, e que nós não podemos justificar a participação direta na exploração animal, independentemente de quão (supostamente) "humanitária" essa exploração é.

A diferença seria que nós teríamos um movimento que promoveria animais como pessoas não humanas -- seres que possuem importância moral por mérito próprio – e não apenas “coisas” para com as quais nós temos, no melhor dos casos, o dever de ter “piedade” ou “compaixão” ao explorá-las de uma maneira mais “gentil”.

Nós não teríamos mais um movimento que é, em sua essência, um negócio que vende escravidão "feliz". Nós teríamos um verdadeiro movimento que rejeitaria *toda e qualquer* escravidão.

Nós teríamos um movimento que deixaria claro que, se animais possuem valor moral -- e são tantas as pessoas que já compartilham dessa intuição moral --, então a única resposta racional é tornar-se vegano(a) e parar de comer, vestir e usar animais.

Nós teríamos um movimento que, finalmente, teria como foco a questão fundamental moral -- o uso animal -- e que pararia de promover e levantar fundos a partir da ideia de que o que importa é um melhor tratamento, ou a substituição de foie gras ou vitela por outros produtos de origem animal.

Pense sobre isso. E se essa ideia lhe cativa, então junte-se ao esforço popular global que tem como objetivo mudar do paradigma de propriedade para o paradigma de pessoalidade.

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Gary L. Francione

Board of Governors Distinguished Professor, Rutgers University

©2016 Gary L. Francione

Texto escrito por Gary L. Francione

Texto original em inglês: http://www.abolitionistapproach.com/imagine-if-there-were-a-movement-that-opposed-animal-use/#.V3VVdTXarVI

Tradução para o português autorizada por Gary L. Francione feita por Tibérius O. Bonates.