Banca Vegana na Nova Zelândia

Ativismo
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Quando eu peguei um ônibus em direção à Queen Street, no centro de Auckland, Nova Zelândia, com minha mesinha dobrável e meus pacotes de panfletos sobre veganismo e cartazes, eu estava nervosa e animada.

Quando eu peguei um ônibus em direção à Queen Street, no centro de Auckland, Nova Zelândia, com minha mesinha dobrável e meus pacotes de panfletos sobre veganismo e cartazes, eu estava nervosa e animada.

Eu tinha feito campanhas de veganismo muitos meses na internet, então eu tinha um pouco de experiência em lidar com os mecanismos de defesa usuais e contra-argumentos das pessoas quando falamos sobre direitos animais. Eu adoro falar, então eu também comecei a fazer um podcast, e quanto mais eu aprendia e falava sobre isso, mais eu queria falar com pessoas em minha comunidade sobre o veganismo. Fiquei contente em ver o veganismo sendo promovido na internet, mas eu senti necessidade de trazer a conversa para as ruas da minha cidade, e alcançar as pessoas de onde eu morava. Eu queria trazer a conversa para casa. Todos que ouviam meus podcasts pareciam ser do exterior, e além de breves conversas no trabalho, eu não estava alcançando os neozelandeses.

Começando do zero

Na Nova Zelândia, mesmo em sites da internet e fóruns, não havia nenhuma promoção do veganismo. Eu sabia que isso estava por minha conta e como eu tinha percebido isto muito antes, eu sabia que não podia contar com nenhum apoio de qualquer um dos defensores de animais locais, porque não importava o quanto eu argumentava, implorava, persuadia ou clamava, foi dito que a promoção do veganismo era "muito extrema" e que nós tínhamos que dar os "passos de bebê", o que significava dar apoio aos grupos locais que promovem campanhas bem-estaristas e "vegetarianismo" e qualquer campanha de um só tema que estava acontecendo no momento, basicamente qualquer coisa com exceção do veganismo.

No entanto, a coisa maravilhosa sobre a promoção do veganismo é que não há absolutamente nada que impeça alguém de fazê-la. Você não precisa desses grupos. Apenas promova o veganismo!

Eu adoro montar uma banca na rua, e agora tenho algumas pessoas me ajudando, como William Paul e Emmy James. Eu amo passar o tempo com outros abolicionistas. Eu também aprendo com eles, porque eles têm ideias para oferecer que eu não tenho. A maneira que nós fazemos a banca é: montamos uma mesa e exibimos os panfletos, nos certificando de que a palavra “vegan” fique bem visível de todos os lados, e deixamos as pessoas chegarem até nós. Eu não fico no caminho e paro as pessoas -- isso não é meu estilo e eu não seria boa para fazer isso. Para alguns isso pode funcionar, mas para mim não funciona. Nós geralmente nos divertimos, sentados ao sol ou sob a sombra de uma árvore, e pessoas curiosas se aproximam e falamos sobre o veganismo.

Como outros que promovem o veganismo irão dizer, as conversas são, em sua maioria, muito positivas. Não há subterfúgios quando você promove a abolição! Há somente o diálogo honesto e discussão com declarações verdadeiras. As pessoas estão muito abertas às ideias, então não acredite na propaganda negativa! Se você está sorrindo e com aparência saudável, elas ficam mais propensas a pensar positivamente sobre o veganismo e mais propensas a falar com você e te levar a sério.

Além disso, como você vai perceber, as pessoas são muito menos propensas a ser hostis ou abusivas pessoalmente, o que pode acontecer na internet quando estamos todos nos escondendo atrás do teclado e da tela. Algumas pessoas tentam tirar um sarro de nós na banca, mas elas geralmente apenas gritam coisas bobas enquanto passam, e rapidamente fogem antes que possamos responder, então isso não é um problema. Eu não tenho imagens sangrentas na minha banca, porque isso não funciona para mim. Você tem que fazer o que você está confortável como ativista, a fim de ser genuíno e eficaz. Não sou necessariamente contra o uso de imagens sangrentas, se elas estiverem nas mãos certas e forem apresentadas com uma mensagem abolicionista de forma inequívoca, mas eu desmorono ao redor dessas imagens e seria inútil tentar trabalhar com elas. Então, eu não as uso.

Se você está sozinho, como ainda pode muitas vezes ser o caso no início para uma grande quantidade de nós (devido ao movimento bem-estarista dominar tudo e todos), você pode montar uma banca de rua pequena para começar, assim como eu fiz. Eu nem sequer tenho um carro, mas eu tenho uma caixa de transporte para os panfletos, e uma mesa portátil que é pequena o suficiente para levar no ônibus, que me permite fazê-lo completamente sozinha se necessário, e eu fiz isso tantas vezes. Uma vez que você começa com uma banca, não só você vai divulgar o veganismo para a comunidade em geral e aprender a falar com outras pessoas pessoalmente -algo que muitos de nós não têm prática-- mas você também vai mostrar para outros veganos e para outros ativistas em sua comunidade que isso pode ser feito. Continue com seu trabalho e, mais cedo ou mais tarde, alguns deles vão querer se juntar a você.

Faça ao seu modo

A beleza de ser um defensor de alguma coisa é que você pode criar o seu estilo próprio contanto que a mensagem fundamental esteja certa e há todos os tipos de coisas criativas e divertidas que você pode fazer para promover o veganismo na sua da comunidade.

Por exemplo, uma vez que haja mais abolicionistas na comunidade (e acreditem, haverá), então você pode programar coisas maiores. Eu pretendo organizar um evento pequeno para fazer uma apresentação sobre o veganismo (com comida deliciosa, claro) e neste verão espero ter um espaço em nosso Festival Vegetariano local. Eu também acho que aulas de culinária vegana ou vendas de bolos veganos e coisas dessa natureza são divertidas e podem ser uma ótima maneira de educar as pessoas sobre o veganismo. Mas isso também deve ser feito de uma forma que não apresente o veganismo como uma dieta, mas sim que mostre para as pessoas que ser vegano, que significa respeito e não-violência, também inclui comer comida deliciosa (apesar de todos os mitos em contrário).

Todos os tipos de coisas que outros grupos fazem para promover seus eventos, sejam eles grupos de ambientalistas, grupos de bem-estar animal, grupos de direitos das mulheres ou o que seja-estas atividades podem ser usadas para promover o veganismo! Eu não inventei a ideia de montar bancas na rua—grupos de bem-estar e outros têm feito isso há décadas. Eu também não tive a ideia de dar uma palestra em um local, ou ter uma mesa em festivais da comunidade, todas as minhas ideias vêm de fora. A diferença é, eu estou promovendo o veganismo inequívoco e a abolição. Os métodos em si não são nada originais.

Perseverando

Não espere que as coisas sejam instantâneas. Elas são lentas. Somos um movimento novo. O truque é começar. Basta tentar coisas diferentes, olhar para o que outros grupos da comunidade estão fazendo e ver se você gosta da ideia, então use para promover o veganismo. A única coisa que pode ser diferente no início é o número de pessoas envolvidas. Somos os pioneiros. É a nossa situação ser um menor número no início, mas nunca vai haver esse movimento se deixarmos que isso nos impeça! E se você é como eu, você vai achar que não há nada mais satisfatório do que conversar com as pessoas sobre o veganismo, levantando-se pelos direitos animais de forma criativa e não-violenta. A verdade está do nosso lado, por isso é fácil!

Passar o dia na banca de rua com William e Emmy, ou mesmo sozinha, é uma das coisas mais agradáveis que eu faço, e eu não posso esperar para recomeçar após este longo inverno frio. Desde que comecei, venho usando a fantástica literatura de abolicionistas de todo o mundo que está disponível , e agora estamos também no processo de concepção de nossa própria NZ literatura vegana, que estará pronta na primavera que vem quando começamos a nossa banca de rua de novo. A literatura que usamos pode ser encontrada em nosso website. Eu recomendo fortemente a ter uma banca de rua ou uma mesa em um evento, mesmo que seja apenas de vez em quando , porque é uma experiência tão positiva e uma forma eficaz de manter a comunicação em sua comunidade. Quando você está sentado lá com os seus cartazes e banners, todo que passam veem a palavra VEGAN, então mesmo que eles não parem e falem com você naquele momento, ainda está na frente deles, na comunidade dessas pessoas, que é vital para nos ajudar a mudar o paradigma. Então saia e faça isso!

Elizabeth Collins é ativista vegana da Nova Zelândia que hospeda o NZ Vegan Podcast e é membro da Auckland Abolitionist Vegans Association, um organização vegana de base, parte da NZ Vegan.

Foto: William Paul, Elizabeth Collins e Emmy James