Donald Watson

Donald Watson
Introdução ao Veganismo
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Em 1944, Donald Watson inventou a palavra vegan, vegana ou vegano no português, que é usada para definir, por exemplo, pessoas que excluem o consumo de animais e qualquer produto de origem animal de sua dieta, além de não participar em todas as formas possíveis de exploração animal. Como ele notava, a civilização atual está construída com base em exploração de animais não humanos, assim como civilizações passadas foram construídas através da exploração de escravos.

Em 1944, Donald Watson inventou a palavra vegan, vegana ou vegano no português, que é usada para definir, por exemplo, pessoas que excluem o consumo de animais e qualquer produto de origem animal de sua dieta, além de não participar em todas as formas possíveis de exploração animal. Como ele notava, a civilização atual está construída com base em exploração de animais não humanos, assim como civilizações passadas foram construídas através da exploração de escravos.

 

Nascido em 1910, Watson cresceu entre familiares e amigos que consumiam produtos de origem animal. Desde cedo, no entanto, ele percebeu que essa prática diária na vida das pessoas desconsiderava o sofrimento dos animais. Quando criança, ele observava, durante visitas à fazenda de um tio, que cada animal estava lá para uma finalidade. Vacas davam leite, galinhas forneciam ovos, cavalos puxavam o arado, ovelhas proviam lã, mas não havia assimilado ainda qual era a função dos porcos. Desse contato, nasceu um questionamento sobre a servidão imposta aos animais no mundo dos humanos.

Aos catorze anos, Watson entendeu para que serviam os porcos ao testemunhar o abate de um deles, o que fez com que ele se tornasse vegetariano. O processo do abate e os berros do porco ficaram para sempre em sua memória. Ele descreveu que, de repente, o cenário idílico da fazenda, com seus animais amigáveis e interessantes, transformou-se em nada mais do que um corredor da morte onde os dias de cada criatura eram contados somente até o momento em que ela tinha alguma utilidade para os humanos.

Mesmo fazendo parte de uma minoria por ser vegetariano, Watson estava decidido a viver de uma forma mais consistente, racional e pacífica. Quando adulto, envolveu-se com grupos de vegetarianos e conheceu algumas pessoas que não consumiam carne, ovos e laticínios. Após compreender o que se passava por trás da produção de leite, tornou-se vegano.

Além de cunhar o termo vegan, Watson também foi um dos fundadores da primeira sociedade vegana britânica, The Vegan Society, que tinha o objetivo de criar um movimento ligado à causa animal. Ele sustentava que os produtos lácteos, como leite, ovos e queijo, eram tão cruéis e exploradores da vida animal senciente quanto o abate de animais para sua carne. Ironicamente, a sociedade desviou-se do veganismo, nos dias atuais, ao aceitar anúncios pagos, em sua revista The Vegan, de um estabelecimento que serve pratos com produtos de origem animal.

Em resposta a uma das críticas feitas a esse movimento em defesa da inclusão dos animais não humanos em nossa comunidade moral, que dizia que o tempo ainda não está maduro para essa reforma, ele indagou: “Mas será que o tempo pode, algum dia, estar pronto para alguma reforma, a menos que seja amadurecido pela determinação humana?”

Ele faleceu aos 95 anos, 60 dos quais foi vegano, e deixou mensagens de incentivo à investigação do que realmente é o veganismo, que vai além de uma dieta e abraça o princípio da não violência. Watson acreditava que, no futuro, veremos com horror a ideia de, um dia, termos nos alimentado com produtos oriundos de corpos de animais.

Autora do texto: Vera Cristofani