Afinal de contas

Introdução ao Veganismo
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Um grupo de neurocientistas assinou recentemente o manifesto, The Cambridge Declaration on Consciousness, admitindo a existência da consciência em todos os mamíferos, aves e outras criaturas, como o polvo.

Um grupo de neurocientistas assinou recentemente o manifesto, The Cambridge Declaration on Consciousness, admitindo a existência da consciência em todos os mamíferos, aves e outras criaturas, como o polvo.

Segundo eles, essa consciência significa que os animais não humanos têm a capacidade de perceber a sua própria existência e o mundo ao seu redor. Eles afirmam ainda que esses animais possuem todas as estruturas nervosas que produzem a consciência. Entre outras coisas, isso quer dizer, portanto, que eles sentem dor e isso nos leva a repensar nossa relação com esses animais.

Ainda que as pesquisas continuem avançando nessa área, há, atualmente, provas suficientes para chegarmos à conclusão de que se os animais não humanos sofrem, sentem dor e prazer --isto é, se eles são seres sencientes como nós– então, não precisamos de mais nenhum motivo para não prejudicá-los por prazer, diversão e conveniência. No entanto, nós matamos 110 bilhões de animais anualmente para alimentação sabendo que, sem sombra de dúvida, vacas, porcos, galinhas, peixes, por exemplo, são explorados e mortos para satisfazer o prazer do nosso paladar, já que não é necessário comer carne ou qualquer outro produto de origem animal para manter uma boa saúde.

Se continuarmos tentando provar que um animal senciente precisa ser como nós para não ser usado como meio para os nossos fins e merecer nossa consideração, ele nunca ganhará. Na verdade, se deixarmos de lado o nosso antropocentrismo, veremos que a senciência é a única característica que um ser precisa para ter o direito moral de não ser usado meramente como recurso.

A teoria de direitos animais abolicionista do filósofo Gary Francione salienta que qualquer tentativa de justificar a exploração dos animais não humanos, com base na falta de características dos humanos, desvirtua a questão moral ao supor que certas características são especiais e justifiquem um tratamento diferenciado. Mesmo se somente os humanos são capazes de se reconhecer no espelho ou se comunicar através de linguagem simbólica, isso não nos concede o direito de desprezar a vida de outros animais.

Como nenhum humano é capaz, por exemplo, de voar ou respirar debaixo d´água sem ajuda, a questão relevante colocada pelo filósofo é: “O que torna a capacidade de reconhecer a si mesmo num espelho e a capacidade de usar linguagem simbólica melhores, em um sentido moral, do que a habilidade de voar ou respirar debaixo d´água? A resposta, é claro, é que nós dizemos isso e é do nosso interesse dizer isso.”